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A vida só tem sentido quando serve de preparação para vidas melhores.

A moral não é produto do meio social, mas da consciência.

Toda a beleza espiritual do passe espírita provém da fé racional no poder espiritual.

O materialista não é livre, pois está preso à ideia fixa de que tudo é matéria.

A Educação Espírita visa o desenvolvimento pleno do indivíduo, considerando-o um ser imortal e cósmico.

Mediunidade é a faculdade humana, natural, pela qual se estabelecem as relações entre homens e espíritos.


 

heculano microfone

J.Herculano Pires foi comunicado que Roberto Montoro, proprietário da Rádio Mulher, pretendia colocar na programação da emissora um programa espírita semanal, com a duração de uma hora. E mais: desejava fosse o programa estruturado e apresentado por ele.  O apóstolo de Kardec aceitou o convite, pois lhe fora assegurado que teria a mais ampla liberdade, “podendo tratar do espiritismo em todos os seus aspectos, sem restrição, e responder a qualquer pergunta” dos ouvintes.

No Limiar do Amanhã ia ao ar aos sábados à noite e obteve sucesso imediato em São Paulo. A Rádio Mulher passou a reprisá-lo aos domingos, pela manhã. A Rádio Morada do Sol, de Araraquara e a Rádio Difusora Platinense, de Santo Antônio da Platina, no Paraná, retransmitiram-no, também, com expressiva audiência. O vigoroso programa prestou inestimável serviço à doutrina espírita durante três anos e meio. Herculano Pires, obviamente, jamais aceitou da Rádio Mulher qualquer espécie de remuneração.

Nesta seção do site, você vai poder ouvir os áudios originais dos programas, e também ler o texto  integral da transcrição.

 AGRADECIMENTOS

A Fundação Maria Virgínia e J. Herculano Pires agradece a todos os que colaboraram com a criação do acervo desta seção, doando gravações dos programas, em especial a Aldrovando Góes Ribeiro, Maria de Lourdes Anhaia Ferraz e Miguel Grisólia.

 

 

 

  

No Limiar do Amanhã, um desafio no espaço.

Alguns de nossos ouvintes se preocupam demais com os cursos fantasmas da parapsicologia em que o Espiritismo é apresentado como doutrina derrotada por essa nova ciência. Não há motivo para preocupações, pois os cursos fantasmas são dados por pessoas evidentemente sectárias e desprovidas de credenciais para a tarefa a que se propuseram.

A premissa colocada por Dulcemar Vieira, já nos oferece uma resposta esmagadora. Se os professores desses cursos são pessoas sectárias e desprovidas de credenciais científicas para dá-los, suas afirmações e seus ensinos não tem nenhum valor. A parapsicologia é um ramo das ciências psicológicas e não tem por finalidade combater ou atacar qualquer doutrina. Mas tão somente investigar os fenômenos paranormais, esclarecendo-os quanto à sua origem, suas leis e sua natureza. E o que ela tem feito nesse sentido só resultou em plena e integral confirmação das pesquisas espíritas a respeito.

Certos ouvintes nos escrevem perguntando se não é verdade que a parapsicologia demonstrou que não existem comunicações de espíritos, pois essas comunicações procedem da mente dos médiuns e não dos espíritos. Alegam que são comunicações do inconsciente dos médiuns, o que destrói a tese espírita.

Se assim fosse, a parapsicologia não estaria investigando atualmente e de maneira intensiva os chamados fenômenos théta. Ou seja, os fenômenos de manifestações de espíritos de pessoas mortas. Nesse campo a parapsicologia chegou às mesmas conclusões do Espiritismo. Ou seja, às conclusões da existência de dois tipos de comunicações, de pessoas vivas e de pessoas mortas. Já no Livro dos Espíritos, publicado há mais de cem anos, Allan Kardec colocava o problema das comunicações de vivos, chamando de telegrafia humana.

Alegam os professores fantasmas que não se pode saber quando a comunicação é de um vivo e quando é de um morto. E sustentam que por causa disso a parapsicologia não reconhece as comunicações mediúnicas. Tudo é atribuído exclusivamente à ação do inconsciente do médium.

Se assim fosse a parapsicologia não estaria investigando os fenômenos théta. A verdade é bem outra. Tanto no Espiritismo como na parapsicologia, os dois fenômenos apresentam características distintas. Os espíritos de mortos se identificam perfeitamente. Basta lembrar que a palavra théta é o nome da oitava letra do alfabeto grego, com a qual se escreve em grego a palavra morte. Por isso ela foi escolhida para designar os fenômenos de comunicações de mortos na parapsicologia. Se alguém puder contestar isso, que o faça.

Os professores fantasmas dizem que as gravações de vozes em fitas magnéticas não são de mortos, mas de pessoas vivas. E que as pesquisas sobre a reencarnação não pertencem ao campo parapsicológico, são feitas por cientistas isolados e espíritas.

O professor Raudive apresentou ao congresso internacional de parapsicologia de Puchberg, trinta mil gravações de vozes de espíritos. Os mais eminentes parapsicólogos do mundo investigam o assunto obtendo resultados cada vez mais significativos. Quanto à reencarnação a pesquisa se processa até mesmo na Rússia por parapsicólogos materialistas, que provaram a existência de uma forma de memória extracerebral. Ian Stevenson, nos Estados Unidos, considera que as provas acumuladas oferecem a evidência da reencarnação. Isso pode ser verificado no próprio livro de Stevenson, já publicado no Brasil.

Dizem os professores fantasmas que não existe fotografia da alma, mas apenas da aura das coisas e dos seres.

As fotografias da aura pertencem à fase inicial da efluviografia. Mas as pesquisas russas foram além dessa fase com a fotografia do corpo bioplasmático, cujas funções no organismo humano correspondem perfeitamente às do perispírito, segundo a doutrina espírita. É o que se pode verificar no livro de Lynn Schroeder e Sheila Ostrander, vendido nas livrarias de São Paulo. Como se vê, os professores fantasmas negam os fatos que estão ao alcance de todos os estudiosos. A parapsicologia comprovou até agora, uma por uma, todas as proposições científicas do Espiritismo. Onde, em que ponto, em que lugar e quando a parapsicologia desmentiu o Espiritismo? Que nos respondam, mas com dados objetivos nas mãos. Que nos responda sim, quem o puder.

 

No Limiar do Amanhã, um programa desafio. Produção do Grupo Espírita Emmanuel, transmissão 175, quarto ano.

Apresentação: Dulcemar Vieira e José Pires. Sonoplastia: Antonio Brandão. Técnica de som: Paulo Portela. Direção e participação do professor Herculano Pires. Uma hora na busca e na defesa da verdade.

Diálogo No Limiar do Amanhã, uma busca radiofônica da verdade.

Pergunta 1: Livro sobre Arigó. Arigó era médium mesmo ou não era?

Locutor - O ouvinte Josias Cavalcante de Melo, da Avenida Indianópolis, pergunta. O senhor escreveu um livro sobre Arigó, estudando a mediunidade dele que considero maravilhosa. Mas depois da morte de Arigó e das denúncias feitas contra o médium, o seu livro não foi mais reeditado. Tudo o que o senhor relata no seu livro foi abalado por essas denúncias? Arigó era médium mesmo ou não era? Se não era, como o senhor se deixou enganar desta maneira?

JHP - Que Arigó era médium e um médium de grande potência, um dos médiuns mais admiráveis que já tivemos no Brasil e talvez no mundo, não há dúvida nenhuma. O que aconteceu com a morte de Arigó foi simplesmente o seguinte. As pessoas que estavam interessadas em destruir Arigó e que não podiam o ter feito em vida. Porque todas as acusações que queriam formular contra ele, poderiam ser desmentidas por ele, e ele realmente as desmentiria. Aproveitaram-se da morte do médium, tripudiaram sobre a sua morte, sobre o seu cadáver, sobre a sua memória, e fizeram o que quiseram. Não obstante as repulsas de muitas pessoas que defenderam Arigó. Não foi, portanto, por esse motivo que o meu livro não apareceu em nova edição. Para começar não sou eu que reedito os livros, eu sou apenas um escritor, eu não sou editor. Os meus livros são publicados pelas editoras. Acontece que o livro sobre Arigó teve várias edições em português. Teve edições nos Estados Unidos, teve até mesmo edições em outros países como, por exemplo, uma edição turca, uma edição grega.

Mas aqui no Brasil as edições pararam no momento em que Arigó morreu. Por quê? Porque o interesse popular pelo assunto desapareceu com a morte de Arigó. É este um sintoma muito mal para a nossa cultura, pois revela que o interesse por problemas as vezes tão vitais, tão importantes como este de uma mediunidade espantosa como a de Arigó. Esse interesse se cinge apenas num ponto, o ponto utilitário. A pessoa só se interessa pelo caso enquanto o médium por exemplo está vivo e pode atendê-la. Então a compra de livros sobre o médium Arigó dependia da existência do médium, o médium não existindo mais, os livros perderam o seu interesse. As pessoas compravam os livros sobre Arigó não com a intenção de estudar profundamente o assunto. Mas sim com a intenção de obter algumas informações sobre ele e da maneira pela qual poderia obter dele os resultados que desejavam para si mesmos ou para seus parentes, amigos e familiares em geral. Essa é a verdade. É um utilitarismo tremendo que preside a venda de livros em nosso país. Quando a venda de livros devia ser orientada por um sentido puramente cultural, o interesse do estudo do problema.

O meu livro sobre Arigó. Eu posso dizê-lo sem medo de parecer vaidoso, porque na verdade trata-se de um fato e os fatos são fatos. O meu livro sobre Arigó foi o único livro que encarou o problema de Arigó em todos os seus aspectos. O sociológico, o psicológico, o espirítico, o mediúnico, o psicoterapêutico e assim por diante. Todos esses problemas foram tratados rigorosamente no meu livro. E, particularmente, há uma série de entrevistas com médicos eminentes que participaram do trabalho de Arigó. Que foram assisti-lo, que acompanharam as suas realizações e que me deram depoimentos importantes que foram divulgados por mim através dos diários associados, aqui em São Paulo e no Brasil. E depois eu juntei esses depoimentos como uma contribuição valiosa ao meu livro. Uma contribuição valiosa para o esclarecimento do caso Arigó do ponto de vista médico. Inclusive há um depoimento do professor Robert Leilo, que é diretor psiquiátrico do Hospital Roosevelt, de New York. Ora, este depoimento do professor Leilo é de grande importância. No entanto esse depoimento e os depoimentos dos demais médicos, os trabalhos dos cientistas norte americanos naquilo que eu pude obter sobre a mediunidade de Arigó, tudo isto figura do livro. Mas houve desinteresse pelo livro desde que Arigó morreu. Este desinteresse portanto foi o motivo pelo qual as edições pararam. Eu não posso forçar uma editora a reeditar um livro se ela ainda tem em estoque os volumes da edição anterior. Simplesmente por isso.

Pergunta 2: Pesquisas americanas sobre Arigó.

Locutor - Prossegue o ouvinte Josias Cavalcante de Melo. Havia uma equipe de cientistas norte-americanos fazendo pesquisas sobre Arigó. O que aconteceu com essas pesquisas? Nunca mais se falou disso. Por quê?

JHP - Não foi bem assim. Falou-se disso, eu mesmo tive oportunidade, ocasião de aqui no programa, neste programa relatar notícias vindas dos Estados Unidos sobre revelações das pesquisas feitas pelo professor Dr. Andrija Puharich, que era o chefe das pesquisas. O Dr. Puharich deu inclusive uma grande entrevista a uma revista norte americana especializada sobre o problema Arigó. Mostrando que as pesquisas realizadas por eles aqui no Brasil, pela equipe dirigida por ele, essas pesquisas revelaram aspectos muito curiosos. Por exemplo, um desses aspectos é o seguinte. Arigó era cardíaco e ele morreu disso, morreu do coração. Muita gente pensa que Arigó morreu no desastre de automóvel. O desastre de automóvel foi provocado pela parada cardíaca em Arigó. Arigó dirigia o carro. Então a parada cardíaca lançou ele contra outro carro. Isso, posteriormente, na autópsia, que se foi verificar.

Ora sendo assim, os investigadores, inclusive dois cardiologistas que pertenciam à equipe de cientistas, eles verificaram o seguinte. Que Arigó quando em função mediúnica, quando estava trabalhando mediunicamente, ele não era cardíaco. Os aparelhos, os instrumentos ligados a ele para mostrar o ritmo cardíaco e dar enfim, todas as informações necessárias para a avaliação do seu estado de saúde. Esses aparelhos não acusavam nenhuma deficiência cardíaca em Arigó quando ele estava mediunizado. O que equivale a dizer quando, ele estava dominado pelo espírito do Dr. Fritz. Esse é um dado bastante importante que principalmente pelo Dr. Luis Cortez, que era um cardiologista venezuelano que trabalha nos Estados Unidos e fazia parte da equipe. As informações dele, a respeito, foram muito importantes. Mas há outros dados também bastante curiosos, por exemplo a pesquisa estatística sobre as diagnoses de Arigó. Essa pesquisa foi feita através das filas de doentes que iam entrando no centro para se consultar com Arigó. O Dr. Puharich ficou sentado junto a Arigó na mesa e ligado por um aparelho de rádio. Um desses radinhos de transmissão curta, ligado por um aparelho de rádio com os seus assistentes lá fora. Lá fora os assistentes examinavam os doentes. E na proporção em que os doentes chegavam junto de Arigó, eles iam transmitindo para o Dr. Puharich, que só ouvia com o aparelho colocado no ouvido, os resultados daquilo que eles haviam verificado lá fora. E o Dr. Puharich mostrou que a certeza dos diagnósticos de Arigó revelava uma alta porcentagem. Porque de acordo com o que havia sido diagnosticado pelos médicos, Arigó receitava. Arigó não fazia propriamente um diagnóstico, ele dava receita, mas a receita correspondia ao diagnóstico dos médicos.

Em certos casos em que a receita não correspondia ao diagnóstico dos médicos, verificou-se posteriormente que apesar disso a receita agiu, a receita realmente era válida. Então surgia aí um outro problema que era um problema para a investigação posterior. Infelizmente a morte de Arigó, a súbita morte de Arigó, impediu o desenvolvimento dessas pesquisas. O interesse dos norte-americanos era tão grande que ultimamente eles não vinham mais ao Brasil na equipe formada, eles eram quinze pesquisadores, além disso, acompanhados de vários auxiliares. Então a equipe era muito grande e quando chegava a Congonhas provocava alarme. Era aquela invasão de repórteres, de cinegrafistas, de televisores, pessoas de televisão. Enfim, de todo mundo lá a querer saber o que se passava e isto atrapalhava as pesquisas. Então eles agiam de uma maneira diferente, vinham só de dois em dois.

Constantemente em Arigó lá em Congonhas estavam presentes dois cientistas norte-americanos. Porque dois realizavam suas pesquisas, iam embora e vinham mais dois, cada um na sua especialidade. Entretanto o Dr. Puharich informou também o seguinte. Que as pesquisas sobre Arigó seriam divulgadas logo que eles tivessem terminado outras pesquisas com médiuns curadores no mundo. Entre esses médiuns, aqueles famosos médiuns das Filipinas que eles também foram pesquisar. Naturalmente temos de aguardar que essas pesquisas cheguem ao final porque são pesquisas científicas meticulosas, procurando atingir não só uma conceituação do fenômeno mediúnico, mas também obter todos aqueles dados minuciosos que confirmam a realidade dos fenômenos e descobrir as leis destes fenômenos. Então naturalmente essas pesquisas ainda serão publicadas. E quando forem publicadas nós teremos a possibilidade de tomar conhecimento daquilo que eles conseguiram verificar com Arigó.

Pergunta 3: Reedição do livro de Arigó.*

Locutor - E o senhor não pretende reeditar o seu livro que teve até mesmo duas traduções em inglês, e responder então as denúncias contra o médium?

JHP - Eu pretendo reeditar quando possível. No momento não é possível porque a última edição do livro ainda não está esgotada. Então a editora não se interessa por lançar nova edição, é claro. Por outro lado outras editoras também não se interessariam por lançar uma edição de um livro que ainda não está esgotado. Eu tenho de esperar pacientemente até o momento em que possa lançar. Inclusive complementando os dados sobre Arigó que eu tenho já arquivados comigo das suas últimas operações que foram muito importantes.

Pergunta 4: Por que os médicos não se interessam por operações cirurgias espirituais?

Locutor - Agora é a vez da ouvinte Jandira Alves, da Rua Bueno de Andrade, na Aclimação. Ela quer saber o seguinte. Se existem realmente operações cirúrgicas espirituais por que os médicos não se interessam por isso, pelo menos os médicos espíritas? Eu tenho um primo médico muito conceituado e estudioso que nega essas operações e zomba de mim por acreditar nelas. Fui agraciada com uma dessas operações, mas meu primo ri de mim e diz que tudo não passou de sugestão.

JHP - Sim, não há dúvida que há muitos médicos que pensam assim, mas não são todos. E quanto aos médicos espíritas é preciso saber que eles estão bastante interessados nas pesquisas. Por exemplo, aqui em São Paulo existe a Sociedade Médico Espírita. Esta sociedade contém cerca de uma centena de médicos filiados. E tanto médicos aqui da capital quanto do interior. Essa sociedade ainda recentemente publicou o resultado de seus trabalhos durante um triênio, o primeiro triênio das suas atividades. E ela pretende continuar publicando os resultados. Ela tem realizado um trabalho bastante importante e nós temos confiança de que esses trabalhos prosseguindo irão dar resultados satisfatórios.

 

Pergunta 5: O prazo de 72 horas para cremação é uma exigência espírita?

Locutor - O ouvinte José Semericov, da Avenida Casper Líbero, pergunta. O senhor esteve presente na inauguração do crematório de Vila Alpina entre vários representantes de religiões e exigiu o prazo de setenta e duas horas após a morte para a cremação dos cadáveres. Foi em nome do Espiritismo que o senhor fez essa exigência? Baseado em que?

JHP - Não, não houve exigência de minha parte, nem poderia haver. Eu fui simplesmente convidado para ir até lá. Aliás, não foi inauguração, foi uma apresentação das instalações que a prefeitura quis fazer principalmente para os representantes de várias religiões. Eu compareci como representante do Espiritismo e juntamente com protestantes, católicos, bispos, padres, todos lá presentes, nós tomamos conhecimento das instalações. É claro que nenhum de nós poderia fazer exigência nenhuma. Apenas o que aconteceu foi o seguinte. O Dr. D’Ávila, que dirigia praticamente a visita. Quando chegou na visita ao crematório propriamente dito, aos fornos crematórios, ele me pediu que explicasse o problema do tempo que o Espiritismo considerava necessário para que o cadáver fosse cremado. Então eu tive a ocasião de dizer até o seguinte. Na doutrina espírita propriamente dita, doutrina como tal, não há nenhuma restrição ao problema da cremação. O que há é o seguinte. Através de comunicações espíritas mais recentes, dadas principalmente aqui no Brasil e particularmente através de Chico Xavier. O guia espiritual de Chico Xavier que é um espírito de grande elevação e muito considerado no meio espírita brasileiro. Declarou que seria conveniente num país como o nosso, onde a cremação não é tradição, não é uso como nos países do oriente. Se tivesse um pouco de cuidado porque o problema do tempo após a morte do indivíduo, está ligado ao desprendimento dos laços vitais que ligam o espírito ao corpo.

Por exemplo, uma pessoa demasiado voltada para os problemas puramente materiais, que passou pela vida sem pensar sequer em religião, sem dar atenção a esses problemas, sem levar a sério a possibilidade da sua sobrevivência após a morte. Uma pessoa assim ao morrer ela às vezes fica bastante ligada ao corpo material. E o desligamento dos elementos vitais é dificultoso, é lento. Dizem os espíritos o seguinte. Da mesma maneira porque aqui quando morre uma pessoa, nós temos médicos e enfermeiros ao seu lado assistindo a morte, do lado de lá existe uma equipe para receber o espírito e para desligá-lo do corpo. Mas este desligamento do corpo depende muito da mente do espírito, do seu próprio psiquismo. O espírito está imantado ao corpo, é preciso então fazê-lo despertar, compreender que ele já morreu, afastar-se do corpo, desligar-se dele. E isto leva, de acordo com que disseram os espíritos, com que disse também Emmanuel, leva pelo menos um período de setenta horas no geral. Então eles pediram que levássemos isso em consideração, não estivéssemos levando pessoas ao forno crematório sem um período de setenta e duas horas após a morte.

Aliás, quando eu expus isto o Dr. D’Ávila informou imediatamente que lá não há problema no crematório, não há problema nenhum quanto a esta questão. Por quê? Porque diz ele, a cremação só se faz de acordo com a vontade da família. A cremação não é obrigatória, é optativa. E quando a família vai levar um cadáver para ser cremado, ela pode pedir que a cremação seja feita dentro de um certo tempo. Inclusive disse o Dr. D’Ávila lá perante nós todos, para todos ouvirem, que até mesmo uma espera de seis meses ou mais para fazer a cremação do cadáver eles podiam atender. E lembrou que isto eles verificaram na Europa e nos Estados Unidos, onde a cremação já é praticada há tempos e viram que às vezes as famílias tem necessidade de reter o cadáver. Não destruir imediatamente em virtude de parentes que estão viajando longe, que estão distantes e que demoram para voltar. Então disse o Dr. D’Ávila, cadáveres com nada menos de seis meses de espera ainda lá estavam nas geladeiras do crematório, esperando o momento da chegada de seus parentes para depois serem cremados. E aqui no Brasil podemos fazer a mesma coisa porque o crematório de Vila Alpina dispõe de recursos para isso. Não foi, portanto nenhuma exigência, o que seria absurdo. Foi apenas a colocação de um problema a convite das próprias autoridades do crematório.

Pergunta 6: Teria o Espírito da Verdade vindo no dia de Pentecostes?

Locutor - Maria de Lourdes Jacomine, da Rua Marques de Itu, quer saber o seguinte. O Espiritismo se apresenta como cumprimento da promessa de Jesus que enviaria o Espírito da Verdade à Terra. Mas as igrejas cristãs, tanto as católicas como as protestantes, dizem que o Espírito da Verdade veio no dia de pentecostes. O que o senhor responde a isso? Veja que o problema é muito sério professor.

JHP - Sim, não há dúvida, o problema é sério. As igrejas cristãs consideram que o dia do pentecostes, logo após a morte de Jesus, quando os judeus comemoravam o pentecostes judaico em Jerusalém. Neste dia o espírito desceu sobre os apóstolos em público. A multidão que cercava os apóstolos de Jesus compunha-se de pessoas procedentes de várias raças e, portanto de várias línguas. E os apóstolos começaram então a pregar o evangelho de Jesus nas diversas línguas. Os apóstolos eram como sabemos, em sua maioria Galileus e não conheciam línguas, eram homens simples. Então o que se deu ali foi o que se chamam no Espiritismo fenômeno de xenoglossia, ou seja, um fenômeno através do qual o médium fala línguas que ele não conhece. Ora, de acordo com esta posição das igrejas, então naquele momento foi que o Espírito da Verdade se comunicou. Mas quando nós vemos no capítulo dezesseis do evangelho de João, a promessa do consolador, do paráclito ou Espírito da Verdade que Jesus pediria a Deus e mandaria à terra, nós verificamos o seguinte. Jesus disse, eu tinha muita coisa ainda para vos dizer, mas não posso vos dizer por que não as entenderíeis. E ele então promete mandar o Consolador que virá nos conduzir a toda à verdade. Quer dizer, aquilo que ele havia ensinado ainda não era toda a verdade que ele desejava ensinar.

Então ele iria pedir a Deus que mandasse o consolador, o Espírito da Verdade para completar o seu ensino. Para dizer aquilo que ele não tinha podido dizer. Era necessário que os homens se tornassem capazes de entender as demais coisas que ele queria explicar. Ora, no dia de pentecostes após a morte de Jesus não tinha havido ainda nenhuma evolução suficiente na capacidade de conhecer dos homens. Tanto lá na Palestina como no mundo inteiro. A evolução dos conhecimentos como nós sabemos é lenta. É necessário um longo tempo para que o homem se prepare e se disponha realmente a compreender coisas que não estavam ao seu alcance no passado. Então nós poderíamos perguntar. O que foi de novo? O que foi de extraordinário? Qual o acréscimo que no dia do pentecostes os apóstolos fizeram ao ensino normal do evangelho de Jesus, que ele mesmo já havia dado? Não houve nenhum. Os evangelhos não nos dão notícias de nenhuma novidade transmitida para essa ocasião.

Consequentemente, não podemos admitir que tivesse sido naquele momento que o Espírito da Verdade, enviado para nos conduzir a toda verdade, para completar o ensino de Jesus, para nos dizer aquilo que ele não tinha podido dizer por que não compreenderíamos. Não foi naquele momento que o Espírito da Verdade desceu à Terra. Foram necessários cerca de dois milênios do desenvolvimento da cultura terrena, para que os homens se tornassem capazes de encarar o fenômeno mediúnico. Ou seja, o fenômeno da comunicação de um espírito, ou o chamado fenômeno de possessão de que falam as igrejas. O termo possessão não é admitido no Espiritismo, nós usamos o termo obsessão. Foi necessário passar todo esse tempo para que este fenômeno pudesse ser compreendido como um fenômeno normal, como um fenômeno natural. Naquele tempo as pessoas entendiam esse fenômeno como extraordinário, como sobrenatural. E até há pouco tempo ainda aqui mesmo na nossa própria cultura moderna ainda a situação era essa. Por que que se adotou, por exemplo, na parapsicologia a expressão paranormal para designar os fenômenos espíritas? Porque esta expressão paranormal deve substituir a expressão sobrenatural que prevaleceu até há pouco. Por outro lado, no campo científico materialista não se consideravam reais esses fenômenos. Entendia-se que eram fenômenos patológicos, fenômenos de doença, fenômenos anormais, portanto.

Ora, a palavra paranormal substituiu as duas expressões errôneas, o sobrenatural e o anormal, e colocou o problema nos seus devidos termos. Mas antes disto já o Espiritismo havia colocado o problema mostrando que se tratava de fenômenos espirituais, fenômenos de manifestações de espíritos. Ora, através destes fenômenos é que então nos veio a comunicação do Espírito da Verdade. Aquele espírito que comunicando-se com Allan Kardec deu-lhe o nome de verdade. Sem que Kardec compreendesse imediatamente do que se tratava, porque Kardec estava fazendo investigações do ponto de vista científico e não religioso. Só depois que ele foi compreender em virtude do desenvolvimento da doutrina que se tratava do Espírito da Verdade. E este espírito não era apenas uma pessoa, era toda uma falange por assim dizer de espíritos trabalhando no campo da mentalidade humana para abri-la, para desenvolvê-la, para ajudá-la a evoluir. E para trazer a complementação dos ensinos de Jesus, aquela complementação que Jesus não pôde fazer na época porque os homens não entenderiam. Então compreende-se por que o Espiritismo não aceita o dia do Pentecostes como advento do Espírito da Verdade. O Espírito da Verdade quando se manifestou foi para trazer a complementação precisa do ensino, mostrando da maneira porque mostrou no Livro dos Espíritos e nos livros sequentes da publicação do Espiritismo. Mostrando como se processam estes fenômenos, como eles se realizam e qual a sua importância para a vida humana na terra.

Pergunta 7: O senhor é teólogo, Professor?

Locutor - Maria de Lourdes continua perguntando. Jesus fundou a sua igreja em Pedro a quem chamou de pedra. Esse é ponto pacifico. Mas o senhor afirma que Jesus não fundou nenhuma igreja e pelo contrário, anunciou a vinda do Espiritismo para restabelecer os seus ensinos. O senhor é teólogo professor? Onde fez o seu curso de teologia? Disseram-me que o senhor é professor de ioga, mas ioga não tem nada com o cristianismo. Desculpe, mas gostaria que o senhor explicasse isso bem clarinho no programa que só busca a verdade. Pode ser isso?

JHP - Pode ser, pode ser sim. Não sei bem se a senhora está fazendo ironias ou se a senhora está querendo brincar comigo, mas de qualquer maneira não tem importância. Eu não sou professor de ioga sabe dona, não sou não. Até não conheço ioga, conheço apenas assim por cima, dona Maria de Lourdes. Eu não sou professor de ioga. Eu sou professor de filosofia, de psicologia, de pedagogia, de história e filosofia da educação. Sou professor devidamente registrado no ministério da educação e já exerci a cátedra, de que me afastei por necessidade de meus problemas aqui em São Paulo, não podia permanecer na faculdade que estava lecionando. De maneira que a senhora tem essa informação preliminar, não tenho nada a ver com ioga, sou professor num plano muito diferente do que a senhora pensou. Agora quanto ao problema que a senhora me fala aqui de teologia, se eu fiz curso de teologia. Não, não fiz. Curso de teologia faz quem quer ser sacerdote, ser padre, eu nunca pensei nisso. Eu me interesso pela religião do ponto de vista cultural e conheço a história das religiões também porque fiz um trabalho e um curso sobre isso, história das religiões. Conheço mas não aceito aquilo que se chama teologia como ciência de Deus. A senhora sabe naturalmente que teologia quer dizer ciência de Deus ou estudo de Deus. Logia, ciência, estudo; theo, Deus.

Ora, eu acho que os homens não tem capacidade para criar na terra nenhuma ciência de Deus. Acho que é uma pretensão humana e considero que os teólogos fracassaram completamente nessa tentativa. Tanto fracassaram. Eu não sei se a senhora sabe, mas há um dado muito importante que eu quero lhe dar. Hoje existe no mundo uma coisa muito curiosa chamada teologia radical da morte de Deus. Essa teologia radical da morte de Deus nasceu no meio protestante e contaminou depois alguns teólogos católicos. E este grupo de teólogos, da teologia radical da morte de Deus, se intitula cristão ateu. Quer dizer existe o cristianismo ateu. Por que cristianismo ateu? Porque eles acham que Deus morreu. As explicações que eles dão sobre a morte de Deus são as mais curiosas. Dizem que Deus morreu por vários motivos. Deus não existe mais, mas colocam o Cristo no lugar de Deus. Então dizem o Cristo é um homem histórico, sendo ele um homem histórico nós podemos aceitá-lo e o Cristo ficará, isso é expressão deles, o Cristo ficará no lugar de Deus até que Deus retorne. Quer dizer, eu tenho a impressão de que eles esperam uma reencarnação de Deus, não é? Por que como é que Deus pode retornar se ele já morreu? Só na reencarnação, ou então numa manifestação. Como a senhora vê eu tenho razões para considerar que os teólogos falharam. Quando os teólogos chegam a esta conclusão de que Deus morreu, a teologia perdeu o seu objeto, não existe mais objeto para investigação de Deus. Pois se Deus não existe como é que vamos investigar Deus? A teologia deve fechar as portas e botar diante da porta um letreiro dizendo: faliu. De maneira que o fato de eu não ter curso de teologia, não implica nada neste problema que a senhora está colocando.

Jesus não disse que fundava a sua religião sobre Pedro. A senhora diz que este é ponto pacífico na teologia. Não é. Não é ponto pacífico, é um ponto de grandes controvérsias. Não faz muito tempo aqui mesmo no Brasil houve uma grande polêmica entre o padre Leonel da Franca, o conhecido sacerdote, muito ilustrado, muito inteligente e um pastor protestante do Paraná, se eu não me engano Ernesto de Oliveira. Uma grande polêmica em torno deste problema. Os protestantes entendem, em algumas das igrejas protestantes, eu não digo que sejam todas, eles entendem o seguinte. Que quando Jesus disse a Pedro que sobre aquela pedra ele fundava a igreja, ele fundava a religião, ele estabelecia a religião não no sentido igrejeiro que nós temos hoje, mas no sentido de uma revelação nova da espiritualidade. Jesus não se referiu a Pedro, mas à pedra da revelação. Porque Pedro respondeu a ele quando ele perguntou quem era. Uns diziam que ele era João Batista, outros que era Elias reencarnado e Pedro respondeu: tu és o Cristo, filho de Deus. Então foi sobre esta revelação, esta pedra como se chamava revelação. Foi sobre ela que Jesus quis firmar a sua doutrina e não propriamente a sua igreja porque ele não fundou igreja. Ele não deu sacramento nenhum, não instituiu nenhum sacramento nem nenhuma ordem sacerdotal. As igrejas surgiram de parte daqueles discípulos de Jesus que não entenderam a sua doutrina por completo. E começaram, então, a imitar as igrejas, tanto as igrejas judaicas, quanto as igrejas pagãs. Foi sobre a estrutura, sobre o modelo das igrejas judaicas e pagãs, que os cristãos criaram as igrejas cristãs. Como a senhora vê, o problema é um tanto complicado, mas ele precisa ser investigado. Se a senhora se interessa por isto deve ler principalmente os dois livros. O livro do padre Leonel da Franca, sustentando que Jesus fundou a sua igreja sobre Pedro e o livro desse pastor, Ernesto de Oliveira, contestando isso com base nas próprias escrituras sagradas. É por isso que nós no Espiritismo entendemos que na realidade, de acordo com todos os dados históricos que nós podemos dispor, e de acordo com os próprios textos evangélicos, Jesus não fundou nenhuma igreja, nenhuma religião. Ele apenas nos lançou numa nova revelação.

Pergunta 8: Divisão dentro do Espiritismo.

Locutor - Pergunta o ouvinte Luis Westrop, da Rua Doze de Outubro, na Lapa. Por que o senhor insiste em divulgar a dissidência que há no Espiritismo como o da própria posição da FEB, a do chamado espiritismo “divinista” e dos “ramatisianos”? Isso confunde os ouvintes e acirra os ânimos no meio espírita. Acho que com isso o senhor desmancha com a mão esquerda a boa divulgação que faz com a mão direita. Não é melhor o joio crescer, como ensinou Jesus, para separá-lo depois na hora da ceifa?

JHP - Sim, mas acontece que a hora da ceifa já chegou. Nós estamos na hora da ceifa. Estamos no momento em que o cristianismo se completa no seu desenvolvimento. E em que uma nova civilização está surgindo na terra, liderada pelas ideias cristãs através da sua projeção no Espiritismo. Ora, então é a hora decisiva em que nós precisamos cortar o joio, precisamos afastar o joio da seara. Não é possível admitirmos que as confusões continuem nesse terreno. Eu não tenho intenção naturalmente de dar nenhuma idéia fictícia do Espiritismo, ilusória. Não viria aqui ao microfone dizer para o público que o Espiritismo é um bloco monolítico, que todos se entendem maravilhosamente, que os espíritas são todos anjos, estão perfeitamente no mesmo plano de idéias, de compreensão, de evolução. Isto seria mentir. Isto seria apresentar uma ideia falsa. Era estar fora da verdade e nós queremos a verdade, nada mais que a verdade. Então temos de mostrar as coisas como elas são e procurar desfazer os mal-entendidos, os absurdos que são semeados na seara espírita. Aceitar, por exemplo, o roustanguismo da Federação Espírita Brasileira, é aceitar uma mistificação ridícula que só serve para ridicularizar o Espiritismo aos olhos das pessoas que não conhecem a doutrina. Ao lerem um daqueles livros que falam na existência de Jesus como entidade puramente fluídica. Essas pessoas pensam que nós espíritas, estamos vivendo ainda na era mitológica. Que nós não compreendemos a realidade da vida terrena.

Aceitar o espiritismo “divinista” de Osvaldo Polidoro é verdadeiramente retroceder alguns séculos, ir parar além da idade média, no tempo dos mais absurdos misticismos que invadiram o mundo. Nós não podemos de maneira alguma deixar que essas coisas sejam apresentadas em nome do Espiritismo. Como não podemos deixar também que os livros de Ramatís, tremendamente ridículos porque oferece uma visão completamente deformada da realidade espiritual. Não podemos permitir que esses livros continuem a ser consagrados por espíritas que não se dão ao trabalho de examinar as coisas à luz da razão e que procuram fanaticamente divulgar esses livros. É preciso quando se fala de Espiritismo colocar os pontos nos i’s. Espiritismo é franqueza, é lealdade, é verdade. De forma que eu não estou desmanchando com a mão esquerda aquilo que faço com a mão direita. Estou apenas fazendo que a mão esquerda se incumba do joio, porque este joio precisa ser afastado da compreensão espírita e do meio espírita em geral.

O evangelho do Cristo em Espírito e Verdade.

Abrindo o evangelho ao acaso encontramos o seguinte. Lucas, 6: 44-45.

Pois cada árvore se conhece pelo seu fruto. Os homens não colhem figos nos espinheiros, nem dos abrolhos vindimam uvas. O homem bom, do bom tesouro do seu coração tira o bem. E o homem mau do mau tesouro tira o mau. Porque a sua boca fala o de que está cheio o seu coração.

JHP - Este pequeno trecho do evangelho de Lucas, como vemos é também bastante claro na exposição dos princípios fundamentais a que ele se refere. Das boas árvores nós só podemos colher bons frutos, mas das árvores más só temos frutos maus. Quando nós enfrentamos um problema dentro da doutrina espírita, devemos sempre levar isto em consideração. Quais são os frutos resultantes, por exemplo, de uma dessas deformações do Espiritismo que andam por aí? Essas deformações que são apresentadas às vezes como passos adiante da codificação de Allan Kardec. Vejamos por exemplo o caso do roustanguismo que é apresentado como um desenvolvimento da quarta revelação. Que resultados deu no mundo o roustanguismo? Que frutos colhemos dos seus livros? Nada mais de que uma situação ridícula para a cultura espírita. Quando alguém lê uma obra daquela e sente ali os absurdos que estão escritos e atribuídos a espíritos superiores. Quando alguém faz isto, logo se arrepia por assim dizer, diante daquelas calamidades que são expostas e tem uma impressão negativa da doutrina espírita. Por outro lado esses livros não produziram nada no meio espírita, não levaram os espíritas a se melhorarem. Porque não ofereceram bases para melhorar a moral, apenas apresentaram fantasias, ilusões, ficções que não dão resultados nenhum no plano prático. Esses livros não desenvolveram nada porque apenas embaraçaram o desenvolvimento cultural da doutrina.

Assim também no tocante ao próprio Espiritismo. Muitas pessoas condenam o Espiritismo sem o conhecer. Atacam a doutrina, procuram dizer que ela é negativa. E por que não veem os frutos para reconhecer a árvore? Se prestarem atenção naquilo que o Espiritismo tem feito em todo o mundo desde que apareceu na França, codificado por Allan Kardec, verão que as suas obras são todas excelentes, porque trazem benefícios para a humanidade em todos os sentidos. Verão que na realidade o Espiritismo está dando um novo impulso à cultura humana e ao mesmo tempo trazendo uma grande contribuição para a tranquilidade das criaturas. A harmonização e a paz social no mundo. Vendo isto compreenderão então que a árvore deve ser boa porque os seus frutos são bons. Quando lemos esse trecho de Lucas, lembramos sempre de um pequeno trecho das memórias do Mahatma Gandhi. O Mahatma Gandhi na Índia lutava não apenas com a dominação britânica, mas também com as infiltrações religiosas. Nós sabemos que os indianos têm as suas próprias religiões e as tentativas de converter os indianos em religiões cristãs, eram intensamente desenvolvidas por pastores protestantes e padres católicos, missionários de todas as religiões cristãs. Quando deram a Mahatma Gandhi o Evangelho para ler, ele o leu e, chegando ao fim, perguntaram a ele o que achou desse Evangelho. Ele disse: “eu só fiquei pensando o seguinte. Como pode uma árvore desta ter dado os frutos que eu vejo entre vocês, aqui na Índia?” Por quê? Porque todos aqueles missionários, de acordo com o procedimento costumeiro das religiões indianas, não se pautavam pelos ensinos espirituais. Então o Mahatma Gandhi fez uma distinção entre aquilo que estava no evangelho e aquilo que na realidade era praticado. Principalmente considerando o sermão da montanha que para Gandhi era a mais bela peça literária e religiosa que ele havia lido na sua vida, o sermão da montanha. Então podemos compreender bem o ensino dado por Jesus neste pequeno trecho de Lucas. Devemos sempre ver os resultados das coisas para avaliar a sua natureza. As coisas boas produzem bons resultados, as coisas más resultados maus. Se observarmos isto com atenção, estamos livres de nos deixar levar pelas mistificações e pelas doutrinas enganosas.

No Limiar do Amanhã, um diálogo sobre o futuro. 

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* O livro Arigó: Vida Mediunidade e Martírio continua sendo reeditado atualmente pela Editora Paidéia. 


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