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A vida só tem sentido quando serve de preparação para vidas melhores.

A moral não é produto do meio social, mas da consciência.

Toda a beleza espiritual do passe espírita provém da fé racional no poder espiritual.

O materialista não é livre, pois está preso à ideia fixa de que tudo é matéria.

A Educação Espírita visa o desenvolvimento pleno do indivíduo, considerando-o um ser imortal e cósmico.

Mediunidade é a faculdade humana, natural, pela qual se estabelecem as relações entre homens e espíritos.


 

heculano microfone

J.Herculano Pires foi comunicado que Roberto Montoro, proprietário da Rádio Mulher, pretendia colocar na programação da emissora um programa espírita semanal, com a duração de uma hora. E mais: desejava fosse o programa estruturado e apresentado por ele.  O apóstolo de Kardec aceitou o convite, pois lhe fora assegurado que teria a mais ampla liberdade, “podendo tratar do espiritismo em todos os seus aspectos, sem restrição, e responder a qualquer pergunta” dos ouvintes.

No Limiar do Amanhã ia ao ar aos sábados à noite e obteve sucesso imediato em São Paulo. A Rádio Mulher passou a reprisá-lo aos domingos, pela manhã. A Rádio Morada do Sol, de Araraquara e a Rádio Difusora Platinense, de Santo Antônio da Platina, no Paraná, retransmitiram-no, também, com expressiva audiência. O vigoroso programa prestou inestimável serviço à doutrina espírita durante três anos e meio. Herculano Pires, obviamente, jamais aceitou da Rádio Mulher qualquer espécie de remuneração.

Nesta seção do site, você vai poder ouvir os áudios originais dos programas, e também ler o texto  integral da transcrição.

 AGRADECIMENTOS

A Fundação Maria Virgínia e J. Herculano Pires agradece a todos os que colaboraram com a criação do acervo desta seção, doando gravações dos programas, em especial a Aldrovando Góes Ribeiro, Maria de Lourdes Anhaia Ferraz e Miguel Grisólia.

 

 

 

No Limiar do Amanhã, um desafio no espaço.

Estamos entrando em outubro, que é o mês primaveril do espiritismo, o mês de Kardec, o codificador. Foi há três de outubro de 1804 que nasceu na França, na heróica cidade de Lion, berço do cristianismo nas Gáleas, o missionário da Terceira Revelação. Não lhe coube a glória de fundar o espiritismo, porque essa glória pertence ao Cristo, como atestam os evangelhos, mas coube-lhe a glória de codificar a Doutrina Espírita e oferecê-la ao mundo.

O espiritismo não é uma doutrina humana, mas uma revelação divina que se fez progressivamente. Faltava, entretanto, a estruturação doutrinária dessa revelação. Kardec, segundo a expressão de Emmanuel, um dos mais lúcidos discípulos de Jesus, foi incumbido de realizar na Terra essa gigantesca missão. Jesus se preparou durante trinta anos para iniciar a pregação do evangelho. Kardec se preparou durante cinquenta anos para iniciar a codificação espírita.

Os espíritos superiores, ao se encarnarem na Terra, sujeitam-se humildemente às condições humanas; submetem-se às leis de Deus que regem o nosso plano; integram-se pouco a pouco no mundo material; desenvolvem-se obedecendo às leis orgânicas do corpo, e crescem assimilando a cultura da época. Jesus necessitou de trinta anos para enfrentar na carne a sua missão. Kardec necessitou de cinquenta anos, de meio século de vida intensa entre os homens, não obstante a sua tarefa já tivesse sido facilitada pela missão de Jesus, porque Jesus já lançara no seu evangelho os fundamentos do espiritismo no solo do planeta.

Jesus rompeu com os formalismos do judaísmo e fundou a religião do espírito. Ensinou a adoração de Deus em espírito e verdade, sem os formalismos pagãos do culto exterior. Ensinou a lei da reencarnação afirmando: “é preciso nascer de novo”. Ensinou e praticou a comunicação com os espíritos, o afastamento dos espíritos obsessores, a evangelização dos médiuns para que não caiam em nova obsessão, a cura mediúnica pelos passes e preces, a produção dos fenômenos mediúnicos, desde a transubstanciação dos líquidos até a multiplicação dos pães, a levitação, a materialização e a desmaterialização. E para não pensarem que só ele podia fazer essa coisas, mandou seus apóstolos que fossem fazê-las por toda Judéia e declarou aos discípulos: “tudo quanto eu tenho feito, vós também podeis fazê-lo, e até mais do que isso”.

Coube a Allan Kardec, sob a orientação do Espírito da Verdade, que Jesus mesmo prometera enviar à Terra, estudar e esclarecer o mistério dessas manifestações que então pareciam milagrosas, e restabelecer o ensino de Jesus em espírito e verdade. Fundado por Jesus e desenvolvido por Kardec, o espiritismo brilharia na Terra num momento oportuno quando os homens estivessem preparados culturalmente para entendê-lo. Kardec, discípulo e servidor humilde de Jesus, jamais reivindicou para ele a glória de haver fundado o espiritismo, porque ele sabia, e demonstrou nos seus livros, que essa glória pertencia ao mestre.

No Limiar do Amanhã, um programa desafio. Transmissão número 132, terceiro ano. Direção e participação do professor Herculano Pires.

Este programa não é de propaganda religiosa e não pretende converter ninguém. Sua finalidade é unicamente a de esclarecer os problemas espirituais à luz da ciência espírita. Para os espíritas, o seu objetivo é o esclarecimento dos problemas doutrinários. Um programa que busca a verdade, nada mais que a verdade. E se você nos provar, amigo ouvinte, que está com a verdade, nada nos impede, absolutamente nada nos impede de ficar com você.

Perguntas e respostas. Pergunte para você e para os outros.

 

Pergunta nº 1 - Trindade

 

Locutor - Recebemos a seguinte carta do Dr. Sebastião Ribeiro, do Instituto Butantã, ao Sr. Professor Herculano Pires, programa No Limiar do Amanhã, Capital.

Prezado senhor,

Venho acompanhando com assiduidade que me é possível os programas que vossa senhoria tem apresentado nessa emissora, e como espírita que sou, pode imaginar o meu entusiasmo. Que a luz divina continue vibrando-lhe as forças necessárias para o prosseguimento dessa série de esclarecimentos sobre a chamada terceira revelação, apontando, àqueles que procuram Deus, uma explicação sobre a Doutrina Espírita, sua base assentada sobre fatos, ciência, filosofia e religião.

Professor, quero também responder ou tentar a pergunta feita nesse programa, candidatando-me a ser presenteado com os preciosos livros distribuídos por vossa senhoria, sobre a pergunta referente à trindade universal.

Segundo o que li e pude compreender, a trindade universal, segundo o “Livro dos Espíritos”, compõe-se de três elementos. Primeiramente, Deus, o supremo criador de todas as coisas. Depois, o espírito, que é o ser inteligente, a criatura que Deus, na sua suprema sabedoria, colocou entre todos os mundos do espaço, dotando-a de livre arbítrio para que a caminhada na senda do progresso espiritual se faça de acordo com a escolha de cada um, desde o primeiro até o último degrau na escada de nossa vida eterna. Em terceiro lugar, o corpo físico, a matéria, que apenas serve de veículo para cada etapa de nossa vida, em nossas diferentes reencarnações, mesmo em outros mundos, matéria esta composta de acordo com a densidade fluídica desses vários mundos.

Sem mais, aceite um abraço fraternal e que a paz divina esteja com todos aí, vibrando etc. e tal.

Sebastião Ribeiro,

Instituto Butantã, Capital.

J. Herculano Pires - Agradecemos a carta amável e generosa do nosso prezado ouvinte do Instituto Butantã, e ao mesmo tempo queríamos fazer-lhe um pedido. O nosso amigo interessa-se, segundo nos declara, pelos livros que distribuímos neste programa. Nós desejaríamos pedir-lhe que passe, se possível, na livraria Edicel, à Rua Genebra 122, esquina da Rua Maria Paula, durante a semana entre onze e doze horas, ou entre dezessete e dezoito horas, ou no domingo de manhã, porque domingo de manhã a Edicel fica aberta. Gostaríamos que passasse lá, porque não só deixaremos um livro à sua disposição lá, como queremos também que se informe de problemas que vão lhe interessar muito, do ponto de vista do nosso programa.

 

Maratonas doutrinárias de julho a agosto.

Conquistaram-se os prêmios na maratona doutrinária de julho, respondendo à pergunta: quais são os três elementos fundamentais do universo que constituem a trindade universal?

Os seguintes ouvintes: Sérgio Ribeiro da Cunha, da Rua Bartolomeu Feio. Vera Regina Nisticó, da Rua Bartolomeu Feio. Ilze Jaloviski, da Avenida Portugal. Lizete Esteves Passareli, da Rua Lucerna. Adolfo Muniz Furtado. Alfredo Alves. Adão Trindade, da Rua Bertioga. Pedro Arnaldo Ribeiro. Rosa G. Zeni. Ítala Maria Uggs, da Rua do Orfanato. Jandira Santos Novaes. Januário Assualdo, da Rua Padre Carvalho.

Todos esses ouvintes podem retirar os seus prêmios no escritório central da Rádio Mulher, à Rua Barão de Itapetininga 64, 11º andar, conjunto 1.111, a partir de segunda-feira no horário comercial, durante a semana entrante.

Conquistou o prêmio máximo da maratona doutrinária de agosto, uma coleção da Revista Espírita de Allan Kardec, encadernada em percalina verde com gravação a ouro, respondendo com precisão, única resposta exata, à pergunta: qual é a teoria do agênere e onde se encontra ela na obra de Kardec?

O ouvinte José Maria F. Bessa, da Rua Ana Nery. Em sua resposta o senhor José Maria Bessa, explicando a teoria, indicou todos os livros de Kardec em que ela se encontra, e fez menção especial dos números da Revista Espírita em que Kardec a desenvolveu. A seguir, acertaram nas respostas e obtiveram os demais prêmios os seguintes ouvintes, sem a precisão do senhor José Maria Bessa. Alberto Bibiani, da Rua Emberé. Inês da Silva, da Rua Quinze de Agosto. Marcos Luís Aversa, da Rua Iarú. Luís Antonio Gobel, da Rua Ática. Sônia Regina Aversa, da Rua Iarú, Vila Ré. José Soares Ferreira, da Rua Chico Pontes, Vila Guilherme.

Todos os ouvintes premiados devem procurar os seus livros no escritório central da Rádio Mulher, à Rua Barão de Itapetininga 64, 11º andar, conjunto 1.111, a partir de segunda-feira no horário comercial, no correr da semana entrante.

E atenção, ouvintes, atenção. Vamos lançar agora a maratona de setembro. Todos em seus postos. A partir desse momento, podem partir da cidade grega de Maratona em direção à cidade gloriosa de Atenas, onde conquistarão os seus louros. Damos um longo prazo para esse curto trajeto, todo mês que agora se inicia.

Não fazemos nenhuma pergunta. Queremos apenas que o ouvinte nos mande o relato de um fato espírita pessoal e marcante da sua vida. Nada de rodeios. Tudo claro e direto, numa página de papel de carta datilografada em dois espaços, com o máximo de vinte linhas.

Atenção, vamos repetir: não fazemos nenhuma pergunta, queremos apenas que o ouvinte nos mande o relato de um fato espírita pessoal e marcante de sua vida. Nada de rodeios, tudo claro e direto, numa página de papel de carta datilografada em dois espaços, com o máximo de vinte linhas.

Durante todo o mês de setembro, receberemos os relatos. No mês de outubro, daremos os resultados. Os principais relatos serão premiados com livros e lidos nesse programa.

 

Pergunta nº 2 - Forma do espírito

 

Locutor - Professor, o ouvinte Conrado Welfi, residente a Avenida Monte Magno, 1586, Vila Diva, pergunta o seguinte: um espírito desencarnado devia ter um corpo com sua forma e feição, masculina ou feminina? Espírito reencarnado ganha novo corpo? Como se explica que, ao falecer esse outro corpo, o médium vidente vê o espírito em forma e feição do corpo recente falecido e não com as formas e feições do corpo anterior, quando o espírito é sempre o mesmo?

J. Herculano Pires - Vamos responder as suas perguntas, que são várias. Nós vamos procurar dar uma certa ordem. Quando o senhor pergunta se o espírito reencarnado devia ter um corpo com sua forma e feição masculina ou feminina, o senhor naturalmente está perguntando se o espírito desencarnado guarda as feições e o corpo semelhante ao que ele teve em vida, seja mulher ou seja homem. Ora, isso é evidente. A Doutrina Espírita e as doutrinas espiritualistas em geral defendem precisamente essa tese, o espírito desencarnado ele está revestido do corpo espiritual, que no espiritismo se chama perispírito. Este corpo espiritual é o modelo sobre o qual se desenvolve, em cada existência, o corpo material. Consequentemente, quando o espírito se desencarna, ele sai com o modelo do corpo, a sua duplicata energética, essa mesma que os físicos e biólogos soviéticos acabam de descobrir agora, apesar do seu materialismo. Ora, então o espírito guarda na vida espiritual aquelas mesmas feições e aquele mesmo corpo, aparentemente o mesmo corpo, mas naturalmente sendo o corpo espiritual que ele tinha na vida terrena.

Entretanto, quando ele volta à reencarnação, ele já volta modificado. Por quê? Porque ele leva uma vida espiritual no plano espiritual, no mundo dos espíritos. Esta vida que ele vai levar lá é uma continuidade da vida terrena, mas no sentido de aperfeiçoamento, de aprimoramento do seu espírito. Ele evolui no plano espiritual. Ao voltar para a Terra, ele não vai se reencarnar numa pessoa adulta, ele vai se reencarnar numa criança e ele tem de obedecer, naturalmente, a várias influências. Em primeiro lugar, às influências do seu próprio espírito, porque ele vem para a Terra com objetivo de se melhorar, de continuar a se melhorar aqui e ao mesmo tempo de reparar todas as faltas que ele tenha cometido, principalmente para com os outros, com pessoas que ele deixou aqui ou que ele vai reencontrar reencarnadas aqui na Terra. Então, ele vai modificar-se para se adaptar a novas condições. Ao mesmo tempo, ele vai enfrentar um campo de hereditariedade biológica que é diferente daquele em que ele viveu na encarnação anterior. Ele pode inclusive mudar de raça, nascer em outro país, dependendo isto de todas as circunstâncias da sua vida anterior. Mas mesmo que nasça neste mesmo país em que ele viveu e no meio da própria família em que ele viveu, ele encontrará condições hereditárias diferentes daquela que ele enfrentou na vida anterior. Então, naturalmente, tudo isto tem de se adaptar para que surja um novo ser. Ele não nasce mais com a fisionomia antiga, nem com o corpo antigo. Ele nasce com um novo corpo, uma nova fisionomia. O seu perispírito ou corpo espiritual, ao chegar o momento da sua reencarnação, é transformado, é modificado, de acordo com as condições novas que ele vai enfrentar na vida.

De maneira que em cada encarnação, o espírito embora sendo o mesmo, se manifesta com uma roupagem nova, como dizia Kardec. Uu seja, ele se manifesta num novo corpo, com novas feições, com nova maneira de ser, e ele é sempre mais adiantado, mais avançado espiritualmente do que era na encarnação anterior. De maneira que o fato de ele guardar as condições corporais e fisionômicas da sua encarnação recente, da maneira pela qual ele é visto pelos videntes, não tem importância nenhuma, porque ele vai passar por uma transformação, uma verdadeira metamorfose ao se reencarnar aqui na Terra.

Mas o senhor pergunta também se ele ganha um corpo novo. É claro que ganha. Não pode reencarnar-se no corpo que ele deixou, porque aquele corpo é um corpo que já se desfez na sepultura. As teorias religiosas que dizem que nós temos de ressuscitar na carne, no último dia, e que temos de retomar o corpo que deixamos na Terra, essas teorias são uma interpretação errônea da reencarnação, simplesmente isso. Aliás, Kardec estudou muito bem este aspecto e ele explica que os judeus, embora compreendessem que existia a reencarnação, não tinham idéias precisas a respeito. Isso nós vemos na Bíblia e vemos no próprio evangelho. Quando, por exemplo, João Batista aparece, os judeus dizem que ele devia ser Elias reencarnado, mas não sabem o que é a reencarnação, então dizem Elias ressuscitado. O próprio Jesus eles consideraram como algum dos profetas antigos que estava ressuscitado. Mas como ressuscitado, se o seu corpo, a sua fisionomia, o seu aspecto era diferente? Por exemplo, entre João Batista e Elias há diferenças que eles deviam notar, mas consideravam assim, sem uma definição precisa do assunto, que era uma ressurreição na carne. O espiritismo viria mais tarde, como Jesus anunciou, restabelecer a verdade sobre este assunto, demonstrando que a ressurreição na carne é a reencarnação. O espírito ressuscita na carne quando ele se reencarna. O último dia, o dia de juízo, é o dia precisamente em que o espírito, ao morrer, ressuscita em espírito. O último dia não é, portanto, do ponto de vista espírita, um dia coletivo, é um dia individual. Cada um de nós tem o seu último dia e este seu último dia é o dia de juízo, porque o espírito, ao passar para o plano espiritual, no seu perispírito, no seu corpo espiritual, ele vai enfrentar o julgamento do seu passado, julgamento este que se dá não perante o tribunal de Deus, assentado na sua glória eterna, mas perante o tribunal da consciência. Deus nos julga muito mais facilmente do que os tribunais, porque ele nos julga através da nossa própria consciência. E é assim que nós temos de enfrentar o nosso último dia, todos nós, mas cada um por sua vez.

O senhor pergunta ainda se o espírito com forma e feição do corpo recentemente falecido e não com as anteriores... Sim, isso nós já analisamos e já vimos como é. Mas o senhor diz assim: quando o espírito é sempre o mesmo. Sim, o senhor quer dizer, como se passa isso se o espírito é sempre o mesmo? O espírito é sempre o mesmo. Na nossa própria vida terrena nós vemos isto. Quando crianças, nós somos o mesmo espírito que é adulto, entretanto há uma diferença muito grande entre a criança e o adulto, entre a criança e o adolescente, o adolescente e o jovem, o jovem e o homem maduro, o homem maduro e o velho. As diferenças são enormes, não só na configuração física, no corpo, na fisionomia, nos gestos, na maneira de ser, mas também no próprio espírito. À proporção em que nós evoluímos na vida terrena, nos modificamos. Estas metamorfoses, estas transformações por que passam o espírito na vida terrena, passa também naturalmente no seu desenvolvimento espiritual através das vidas sucessivas. Não sei se consegui esclarecer o problema. Se não, o senhor volte com nova pergunta.

 

Pergunta 3 – Tumor

 

Locutor - Professor, a ouvinte Luísa Pera dos Santos nos escreve pedindo sua ajuda. Fui operada de ulcera no estômago e os médicos acharam um tumor, o qual o próprio organismo gerou. Este tumor não pode ser extraído e sim secado por meio de remédios. Estou desesperada, já que a medicina falhou e desenganou-me. Sei que os médicos nada podem fazer por mim. Diante disto, apelo para o senhor orientar-me. Através de seus conhecimentos espirituais, quero saber de um centro que possa operar-me ou mesmo receber tratamento com medicamentos espirituais. Aflita, espero a sua resposta, pois realmente estou precisando de ajuda. Deus lhe pague.

J. Herculano Pires - Vamos responder a sua pergunta. Eu gostei que a senhora dissesse aqui que, embora pretendesse um centro onde se faça operações, a senhora ficaria satisfeita também com medicamentos, com assistência espiritual. A senhora sabe que o problema da medicina paranormal ou supra normal, essa medicina que se realiza através da mediunidade, é um problema bastante melindroso, bastante complexo, e também nós precisamos compreender o seguinte: nem todas as doenças que não são curadas pela medicina, podem ser curadas por meios supra normais. Muitas vezes – eu não quero dizer que seja o seu caso –, muitas vezes, como disse um espírito em certa ocasião, a doença é que cura a gente. A gente, às vezes, está sofrendo de certas moléstias espirituais que a gente nem percebe, mas que prejudicam seriamente a nossa evolução. Então vem uma doença que nos prejudica, que nos maltrata, que nos ameaça, às vezes, até com a destruição total da nossa vida, mas que tem por finalidade apenas uma correção no nosso espírito. É uma ajuda, é um remédio que vem. Naturalmente, a senhora, como qualquer outro doente, ficaria desesperada, como ficou ao ter a impressão de que a sua doença não tem solução, não tem remédio. Mas nós gostaríamos que a senhora se lembrasse do seguinte: nós todos estamos no mundo de maneira passageira. Nós não vamos ficar vivos eternamente. Todos morremos, sem distinção de ninguém. A nossa hora pode chegar mais cedo ou mais tarde para todos nós, mesmo a pessoa mais sadia, mais cheia de saúde e de vida que a senhora encontra na rua ou com a qual a senhora conversa, pode inesperadamente dali a cinco minutos estar morta, não só morta por um acidente exterior, mas também por um acidente interior. Basta, às vezes, o rompimento de uma pequena veia, de um vaso sanguíneo no corpo, para que a pessoa faleça inesperadamente.

Assim, nós não devemos nos afligir tanto pelo fato de estarmos ameaçados por uma doença, mesmo quando os médicos nos dão, por assim dizer, a carta de despensa de qualquer tratamento. Não. Não devemos nos desesperar por isso, porque a nossa vida, afinal de contas, não está em nossas mãos, nem nas mãos dos médicos, nem nas mãos de quem quer que seja na Terra. A nossa vida está nas mãos de Deus. Há um poder superior que nos criou, que nos dirige e que vela por nós. Assim, acho muito justo que a senhora se dirija ao espiritismo, como a qualquer outra fonte de recurso espiritual, para auxiliá-la nesse momento. Mas não quero que a senhora se dirija ao espiritismo pensando que vai encontrar quem a opere, quem realize uma operação instantânea, quem faça um milagre. Não. No espiritismo, como em qualquer outra organização religiosa espiritualista em que se conhece este problema, as curas são feitas de acordo com a vontade de Deus e não com a nossa. Mas a senhora deve ter fé, confiança em Deus e orar, e pedir a ele assistência de que a senhora necessita para que seja socorrida e esteja sempre pronta para receber aquilo que do alto puder vir em seu favor.

Entretanto, vou lhe aconselhar o seguinte: a senhora procure a Casa Transitória da Federação Espírita. Esta casa transitória fica na Avenida Condessa de Rubiano, antiga Marginal Esquerda do Rio Tietê, próximo à ponte de Vila Maria. Não tenho o endereço exato, porque o local lá é um pouco confuso no tocante a números de rua. Se a senhora quiser uma indicação mais precisa, mande alguém passar na secretaria da Federação Espírita do Estado de São Paulo, à Rua Maria Paula, 158, e informar-se exatamente. Procure na Casa Transitória o senhor Gonçalves Pereira. É o diretor desta casa. Ele não é nenhum santo milagroso, nem médium curador; ele é apenas um homem que entende de espiritismo e que procura atender a todos os que o procuram com o maior carinho, com a maior dedicação humana. Procure este homem, exponha a ele o seu problema e peça o auxílio que ele lhe poderá dar lá nos trabalhos espirituais da Casa Transitória. Estou certo de que a senhora ficará satisfeita com a acolhida que lá terá forçosamente. E, além disso, a senhora esteja certa de que nós, nos nossos grupos espíritas, nós aqui do programa, vamos pedir também pela senhora, através da oração, através da prece, através do desejo profundo que todos temos de nos auxiliar uns aos outros, nós obteremos do alto, obteremos de Deus o amparo, a proteção, a assistência que a senhora deseja. Vamos confiantes e, principalmente, confiantes em quê, Deus na sua infinita misericórdia sabe para onde nos conduz, porque sabe aquilo que realmente nós precisamos. Não somos nós que sabemos isso. Tenha confiança em Deus e a qualquer momento aqui estamos no nosso programa à sua disposição.

 

Pergunta nº 4 - Manifestação e doutrina

 

Locutor - Professor, o ouvinte Josué Rodrigues da Silva, Cidade Ademar, pergunta: tendo o professor declarado no programa do dia quatro de agosto último que umbanda não é espiritismo, como podemos encarar os espíritos que se incorporam dentro dos terreiros de umbanda? Podemos considerá-los espíritos ou não?

J. Herculano Pires - O senhor está fazendo uma pequena confusão entre espiritismo e manifestações de espíritos. É preciso compreender o seguinte: espiritismo é o nome de uma doutrina, a doutrina que os espíritos superiores deram a Allan Kardec. A doutrina, portanto, tem este nome de espiritismo, porque provém dos espíritos superiores que ditaram à Allan Kardec. Mas esta doutrina não é quem produz os fenômenos espíritas. Os fenômenos espíritas são fenômenos naturais, eles existem desde que o mundo é mundo, desde que o homem é homem. Por toda parte, o senhor encontra as manifestações espíritas nas várias religiões. O senhor encontra essas manifestações na literatura mundial de todos os tempos, desde a mais alta antiguidade. O senhor encontra essas manifestações espíritas assinaladas nas próprias escritas rudimentares das cavernas do homem primitivo, nos desenhos feitos por ele, e assim por diante. Por quê? Porque o fenômeno da comunicação de espíritos é um fenômeno natural, sempre existiu e sempre existirá. Há duas humanidades: uma é a humanidade encarnada, material, outra é a humanidade desencarnada, espiritual. Estas duas humanidades não estão separadas, não estão distantes uma da outra como supunham alguns pregadores religiosos da antiguidade. Pelo contrário, o espiritismo mostrou sobejamente que essas duas humanidades estão juntas, se entrelaçam e se conjugam. Todos nós estamos sempre ligados com espíritos, espíritos que podem ser inferiores ou superiores, mas que têm ligações conosco, que tem simpatias ou antipatias nas suas relações conosco. Esses espíritos, portanto, estão sempre ao nosso redor, eles podem nos transmitir ideias boas, ideias más e assim por diante. Todas as religiões sabem disso e todas as religiões recomendam, como nós sabemos, muito cuidado com os nossos pensamentos e com os nossos sentimentos, que muitas vezes podem ser impulsionados por criaturas do outro mundo, do mundo espiritual que agem sobre nós. Atualmente, as pesquisas parapsicológicas estão invadindo esse campo e descobrindo aquilo que o espiritismo já descobriu há mais de um século.

Assim, quando nós falamos que espiritismo é uma coisa e umbanda é outra coisa, nós estamos estabelecendo uma distinção doutrinária entre os dois campos de manifestações. Na umbanda, existem manifestações de espíritos, existem médiuns; os médiuns de umbanda chamados, como nós sabemos, de cavalos, eles são na verdade médiuns tão bons e tão semelhantes como os médiuns espíritas. Nos terreiros onde realmente se pratica a umbanda com boa intenção, onde existem honestidade e sinceridade no trabalho, manifestam-se até mesmo espíritos elevados que procuram auxiliar as pessoas ali presentes. Os espíritos não seguem rótulos, eles não fazem questão absolutamente de distinções entre os que seguem esta ou aquela orientação. O que eles querem é prestar serviços, é nos ajudar, porque eles sabem que nós necessitamos muito de ajuda para podermos sair da nossa inferioridade e elevar-nos espiritualmente. Quando nós fazemos a distinção entre espiritismo e umbanda, estamos mostrando duas doutrinas diferentes. A doutrina espírita é uma, a doutrina de umbanda é outra.

Assim, nós não podemos misturá-las, não podemos confundi-las. O que nós não queremos é que se faça confusão no espiritismo com a introdução de práticas umbandistas no meio espírita. Cada doutrina tem a sua maneira de ser, de se orientar, os seus objetivos a atingir, os seus processos a seguir. Os processos espíritas não se coadunam com os processos da umbanda. Então, nós não admitimos a confusão, a mistura. Isto não quer dizer que nós não respeitemos umbanda. Nós, no espiritismo, aprendemos que devemos respeitar todas as religiões, mesmo as mais humildes, porque todas elas têm uma finalidade espiritual. Nós respeitamos todas as religiões e respeitamos umbanda como uma religião nascente em nosso país, uma religião que está ainda se organizando e se desenvolvendo, mas que merece o nosso respeito. Entretanto, não podemos admitir que se faça confusão. Uma comunicação espírita dada no meio espírita tem uma finalidade muitas vezes diferente da comunicação espírita ou da comunicação espiritual dada no meio de umbanda. Cada uma dessas correntes espiritualistas, dessas doutrinas espirituais, tem os seus objetivos. É por isto que nós fazemos a distinção. O senhor, querendo ser umbandista, terá de seguir a orientação de umbanda, mas se o senhor quiser ser espírita, terá de seguir a orientação da doutrina espírita, é essa somente a distinção. Quanto às manifestações, não só na umbanda, mas também no próprio catolicismo, no protestantismo, nas seitas pentecostais que andam por aí desenvolvendo-se e atraindo numerosas pessoas, em todas elas há manifestações espíritas. Não há religião sem manifestações de espíritos.

Mande suas perguntas por escrito ao programa No Limiar do Amanhã, Rádio Mulher, Rua Granja Julieta, 205, São Paulo. As perguntas por telefone e os programas de auditório estão suspensos temporariamente por motivos de reforma nas instalações da Rádio Mulher.

Sesquicentenário de Gonçalves Dias.

Nosso concurso sobre a primeira estrofe da Canção do Tamoio, de Gonçalves Dias, que durou todo o mês de agosto, provocou grande interesse. Valeu, portanto, como verdadeira comemoração radiofônica do sesquicentenário do poeta, do grande cantor indianista da poesia brasileira que transcorreu naquele mês.

Agradecemos aos ouvintes pela sua participação entusiástica e damos a lista dos que acertaram na resposta. Todos podem retirar o seu prêmio no escritório central da Rádio Mulher, a partir de segunda-feira no horário comercial. Endereço: Rua Barão de Itapetininga 64, 11º andar, conjunto 1.111.

O livro “Antologia do mais Além” de Jorge Rizzini, editado pela Lake, Livraria Allan Kardec Editora, oferece-nos a volta de Gonçalves Dias através da poesia mediúnica. Os vencedores do certame terão, assim, a oportunidade de apreciar o poeta e criador da poesia indianista no auge da sua inspiração, 150 anos após a sua passagem para o mundo espiritual. E ainda há quem diga que os mortos não voltam, hein?

São os seguintes os vencedores que podem procurar seus volumes de “Antologia do mais Além”, primeira obra mediúnica em que Gonçalves Dias reaparece, identificando-se pela temática e pelo esplendor de sua inspiração.

Atenção amigos ouvintes. Fernanda R. Miranda, da Rua G, em Vila Mariana; Ilze Jalovski, da Avenida Portugal; Sandoval S. Ferro, da Avenida São Luiz; Oswaldino da Silva Souza, da Rua Santo André; José Soares Ferreira, da Rua Chico Pontes; Oscar Prado, da Rua Hermano Ribeiro da Silva; Carlos Vecchiato, da Rua Afonso Vergueiro. Repetimos os nomes dos premiados. Esses volumes são oferecidos pelo Programa No Limiar do Amanhão e pela Editora LAKE – Livraria Allan Kardec Editora, desta Capital.

Perguntas e respostas. Continuamos a responder aos nossos ouvintes.

 

Pergunta nº 5: Veneração e adoração

 

Locutor - Professor, nosso ouvinte Enéas Galvão da Silva, pergunta: membros de certa religião, tendo se convencido, afinal, de que Deus de fato proíbe que se preste culto e adore imagens de escultura, todavia declara essa mesma religião que Deus permite que se venere, isto é, permitir que se venere as imagens. É verdade? O que quer dizer venerar uma imagem? São elas superiores aos ídolos tão combatidos pelo senhor dos exércitos, segundo a Bíblia sagrada?

J. Herculano Pires – Naturalmente, está havendo aí simplesmente um jogo de palavras. Porque quando nós veneramos uma coisa, nós tratamos essa coisa ou esse ser com veneração, nós estamos lhe dando toda a nossa adoração. Adorar ou venerar se equivalem. Portanto, não há esta distinção. A distinção que se pretende fazer no caso devia constar de fato, se assim fosse, devia constar das próprias escrituras sagradas. E é evidente que não consta. A proibição da veneração ou da adoração de imagens é no sentido de não se interpretar cada imagem ou cada ídolo como sendo uma deusa, um deus, como sendo, portanto, uma entidade mitológica. Nós sabemos que no tempo em que o cristianismo se desenvolveu, e mesmo no tempo anterior em que prevalecia o judaísmo na Palestina, os judeus se recusavam a adorar imagens para não se confundirem com os povos pagãos, porque eles construíam grandes imagens dos deuses mitológicos e atribuíam a essas imagens o mesmo poder dos espíritos que as haviam inspirado. Consideravam, portanto, as imagens de pedra, de barro, de metal, fosse lá do que fosse, como criaturas reais, vivas, dotadas de poderes sobrenaturais. Ora, o cristianismo, sendo o desenvolvimento natural do próprio judaísmo, ele também seguiu essa orientação de eliminar as adorações de imagens.

Isso não quer dizer que, por exemplo, não se pudesse ter, de acordo com a nova concepção do cristianismo, não se pudesse ter a construção de uma imagem representando um ser superior ou um santo no sentido de se prestar uma homenagem a esse santo. Mas não se devia dar, de acordo com os princípios do próprio cristianismo, a essa imagem um sentido de ídolo, de imagem a ser adorada. Quer dizer, quando se apela para a explicação da veneração, opondo-se veneração à adoração, o que se quer dizer é que nós podemos ter, naturalmente, um respeito por uma estátua de um santo, como temos pela estátua de um herói. Isto podia ser interpretado assim. Mas infelizmente isso não se deu. O que se deu no cristianismo, no seu desenvolvimento, foi a prática mesmo da idolatria, da adoração de imagens, adoração de ídolos atribuindo-se a essas imagens um poder sobrenatural. Era isto que as escrituras antigas proibiam e é isto que o cristianismo também proíbe. Dessa maneira, me parece que a explicação é fácil no tocante ao assunto, foi um simples jogo de palavras para desculpar a realidade que estava contra a lei.

 

Pergunta nº 6 - Cura

 

Locutor - Professor, nosso ouvinte Samuel Joaquim, da Penitenciária do Estado, nos escreve perguntando: a pergunta é referente a um fenômeno que vem se manifestando em uma igreja evangélica. Quero saber se trata-se de um grau elevado de mediunidade do pastor, ou qual a razão desse fenômeno, visto que o mesmo manifesta-se em curas?

J. Herculano Pires - O problema das curas espirituais, como tivemos ocasiões de dizer ainda neste programa hoje, esse problema não é privativo de nenhuma ordem religiosa, de nenhuma seita, de nenhuma religião, de nenhuma corrente espiritualista. A mediunidade, como nós dissemos já tantas vezes aqui, é uma faculdade natural do homem. O homem não precisa ser espírita para ser médium. Existem médiuns católicos, médiuns protestantes, médiuns materialistas, médiuns budistas e assim por diante. Onde estiver o homem, está a mediunidade, porque a mediunidade é uma faculdade humana. Assim como nós temos a faculdade da inteligência, a faculdade da palavra, a faculdade do tato, a faculdade do olfato e assim por diante, nós temos a faculdade mediúnica. Isso que o espiritismo afirma há mais de cem anos, a parapsicologia veio confirmar em nossos dias, dentro do campo das ciências psicológicas, ao sustentar que todos nós possuímos faculdades psi. E faculdades psi querem dizer capacidade de percepção extra-sensorial. Quer dizer capacidade de perceber além dos sentidos físicos, de ver aquilo que os olhos não veem, de sentir aquilo que os nossos sentidos do tacto, da audição e outros não sentem. A faculdade, enfim, de ver além da rede sensorial dos nossos próprios sentidos.

Ora, sendo assim, a mediunidade está em toda parte, e uma das formas da mediunidade é aquilo que chamamos de mediunidade curadora ou de dons extra-sensoriais terapêuticos. Há médiuns que podem curar. Nós conhecemos, nós todos, os curandeiros, que no meio do sertão, quando não são exploradores, mas sim pessoas abnegadas, realmente realizam curas espantosas. Conhecemos as benzedeiras, as mulheres que se dedicam a benzer com humildade, com verdadeira reverência a Deus, procurando transmitir curas a pessoas doentes e que muitas vezes obtém curas verdadeiramente milagrosas. Os nossos sertões, como em todas as regiões do mundo, estão cheios de criaturas dotadas de mediunidade curadora que socorrem aquelas criaturas que se encontram inteiramente desprovidas dos socorros médicos que existem nas grandes cidades. Por toda parte a mediunidade curadora é um fato, e hoje, como nós sabemos, nos Estados Unidos, na Europa, em toda parte, está em estudo constante no meio científico o problema da mediunidade curadora. Assim, se numa igreja evangélica existe um pastor que consegue fazer curas, isto nada tem de extraordinário para o espiritismo. Esse pastor é médium, como é médium o padre exorcista, como é médium o padre curador, como foi o padre de Poá, como foi o padre de Itambaú. Todos eles que conseguem produzir curas são médiuns. Não precisa ser espírita para ser médium. Esse pastor, portanto, se está realmente obtendo curas nos seus trabalhos, nas suas bênçãos, ele, na verdade, tem poder curador, tem mediunidade.

 

Pergunta nº 7 - Posição da prece e o luto

 

Locutor - Professor, o ouvinte Gilberto Martins, da Rua Manoel Justiniano, pergunta: primeiro, existe alguma diferença em rezar-se deitado ou na escuridão? Geralmente, faço minhas preces antes de deitar-me nestas condições. Segundo: antigamente quando falecia uma pessoa da família, usávamos luto por um ano, ou seja, roupas pretas. Hoje esse tipo de luto não está sendo usado com tanta frequência. Por quê?

J. Herculano Pires - Na verdade, o problema de rezar implica de nossa parte uma atitude perante o santo ou a entidade espiritual a que nos dirigimos. Essa atitude deve ser de respeito, naturalmente, de profundo respeito, porque se estamos orando a uma entidade espiritual, devemos ter respeito para com ela. Mas o respeito que devemos ter a ela não se mede pela nossa atitude física, pela nossa postura corporal. Mede-se pelo nosso sentimento íntimo, pelo nosso pensamento, pelas vibrações espirituais, pelas nossas intenções. Assim sendo, se a pessoa, por exemplo, deita-se para orar, a sua postura deitada não quer dizer que seja afrontosa ou desrespeitosa. Muitas pessoas e em muitas igrejas usam mesmo deitar-se. Nós sabemos que há o rito de se deitar para orar. O que importa é a nossa intenção, o nosso pensamento, não a nossa postura física. Isso é de menos. Tanto faz rezar no escuro como no claro, em qualquer lugar. Desde que oremos com veneração, com sentimento de adoração a Deus e de respeito pelas entidades espirituais, tudo isso se faz com resultados positivos, quando positivamente o fazemos.

No tocante ao problema do luto, o senhor pergunta por que se modificou isso. Modificou-se porque os tempos mudam. A compreensão do homem se dilata. Quando nós compreendemos que a morte não é a destruição da criatura que morreu, mas simplesmente uma transformação, como nos diz a própria Bíblia. Veja, por exemplo no livro de Jó, quando ele diz que espera constantemente a sua mutação, a sua transformação pela morte. Assim, quando nós compreendemos isto profundamente, vemos que não há motivo para uma pessoa estar se cobrindo de luto um ano inteiro porque morreu uma pessoa da família. Morrer é um fato natural, nós todos morremos, ninguém vai ficar para semente na Terra, nós sabemos disso. Então, não devemos fazer da morte uma tragédia. Todos nós morreremos e aquele que morre não se acabou, pelo contrário, apenas terminou uma passagem rápida pela Terra, libertou-se, na verdade, ele se libertou da sua prisão carnal, da sua sujeição a um corpo material de origem animal, que é o corpo humano. E partiu para a vida espiritual, partiu para viver uma vida mais elevada e mais bela num mundo superior, que é o mundo dos espíritos.

Então, não há motivo nenhum para estarmo-nos cobrindo de luto durante todo um ano para mostrar sentimento aos outros. O sentimento é um problema nosso, é íntimo, é profundo, não precisamos estar exibindo aos outros o nosso sentimento, não precisamos estar anunciando a todo mundo, através de vestes assustadoras, que morreu uma pessoa de nossa família. Isso é um problema nosso, não é um problema público. Não há necessidade nenhuma de demonstrarmos sentimentos através de vestes exteriores, de sinais exteriores, de qualquer coisa do convencionalismo social. Assim, compreendendo isto, a humanidade está se libertando de muitos prejuízos, de muitos preconceitos e de muitas superstições do passado. O senhor vai ver ainda muitas mudanças que ocorrerão daqui por diante.


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